top of page
Buscar
  • Lhivros e Arthivismo

Filme - E AGORA LEMBRA ME - Joaquim Pinto

“Meu nome é Joaquim. A minha vida não tem nada de particular. Vivo com o Nuno, somos casados. Juntos, demos a volta ao mundo. Ou o mundo passou por nós.”


Joaquim Pinto é um diretor de cinema português, vive com hiv há duas décadas e também com hepatite C resistente aos medicamentos. Com toda sua experiência no cinema, conta magistralmente sua própria história, cristalizada no filme "E agora? Lembra-me", premiado no Festival de Locarno 2013 e no Cine PE 2014.



Trata-se de um filme muito especial, uma reflexão sobre o tempo e sobre a luta de uma pessoa para continuar vivendo e aproveitando a vida. Trata-se de um projeto muito pessoal e intimista.


O diretor convida a espectador para entrar em sua casa e conhecer sua rotina. Vivendo com duas infecções virais simultâneas, ele abre suas portas e através do cinema entrega um retrato não apenas seu, mas do homem, abordando sua relação com a morte, com a terra e com os animais.


Pinto realiza um filme extremamente corajoso, sem medo de se usar como objeto de estudo. Há cenas difíceis, com ele muito abatido e outras mais leves, em que fala sobre a vida e o futuro. O diretor filmou até mesmo momentos íntimos com o marido Nuno.


O documentário é um tributo à vida e ao tempo. Neste sentido, exige certa paciência do espectador, uma vez que as mais de duas horas e meia de duração podem afugentar algumas pessoas. Mas a verdade, por mais que o ritmo em certos momentos seja muito lento, é que a duração é necessária para se contemplar aquela realidade, em que cada minuto a mais de vida é conquistado e comemorado. Por exemplo, na cena inicial, em que se filma uma lesma por mais de um minuto e meio, antes de Joaquim citar sua frase de abertura.


Triste, melancólico e ao mesmo tempo otimista sobre a vida, "E Agora? Lembra-me" é uma experiência sensacional. O cineasta reflete sobre o dia a dia e relembra os amigos que perdeu para a aids, que é tratada como ponto de partida para um conhecimento melhor sobre a vida. Ele debate ainda o tratamento, documentando experiências com clínicas clandestinas e drogas não aprovadas para o tratamento da hepatite C.


Valorizando os momentos de silêncio, com uma trilha sonora bem discreta, e investindo numa filmagem quase pueril, sem se preocupar demais com estilos e focando apenas em seus personagens, o longa é uma produção única.


Marido de Pinto, Nuno Leonel também tem participação importante na história, não só como testemunha do que acontece com o diretor, mas também como protagonista de sua própria história, uma pessoa que segue com aquele que ama nos momentos de dificuldade. Um filme simplesmente lindo.


Segue o trailer do filme:



4 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page