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Filme - SAO PAULO EM HI FI - Lufe Steffen

O filme documentário "São Paulo em Hi-Fi", dirigido por Lufe Steffen, PRE-CI-SA ser assistido por todas as pessoas, pois dá uma verdadeira aula, totalmente testemunhal, de como a vida LGBTQIA+ evoluiu nas últimas décadas na cidade de São Paulo.



As primeiras boates, os pontos de encontro abertamente queer, desde a década de 60 (no momento mais repressivo da ditadura), as décadas seguintes, histórias incríveis.


O glamour da noite queer, pelo descrito, era totalmente diferente do que encontramos hoje, com shows de drag queens (à época chamadas transformistas) e mulheres trans/travestis, sendo que o centro da cidade era um caldeirão fervilhante de cultura, descrito por James Green, em seu depoimento, como pouco perigoso.


K7 foi um local aberto por Elisa Mascaro, na Bela Cintra quase esquina com a Alameda Santos. Depois, ela e o marido abriram o Medieval, onde se apresentavam Phedra de Córdoba, Miss Biá, Mona Lisa e outros nomes muito conhecidos até hoje.


Pessoas chegavam, em determinadas festas, do ano, altamente produzidas. Uma vez, um frequentador, Darby Daniel, chegou vestido de Branca de Neve, dentro de um caixão carregado por sete anões, um rapaz vestido de príncipe veio montado em um cavalo branco, abriu o caixão, beijou a pessoa que ali estava e ela cuspiu uma pequena maçã que tinha em sua boca. Só depois entraram na boate.


Outro caso narrado foi de quando a Wilza Carla chegou à festa fantasiada de odalisca, montada em um elefante de verdade, descendo a Rua Augusta.

Pouco depois, foi o lançamento da Nostro Mondo pela Condessa (que durante o dia trabalhava no Fórum do TJSP), na Consolação com Avenida Paulista.


Na década seguinte, já na época da boate Homo Sapiens (HS) que funcionava onde hoje está o ABC Bailão e da Corintho, a aids apareceu repentinamente, ferindo de morte todo este glamour. Flores que antes decoravam as mesas e os palcos passaram a ser usadas nos velórios e enterros.


Quando as pessoas começaram a adoecer, tudo mudou... Alguns sumiam, outros seguiam na noite até quando era possível. O preconceito, que até hoje perdura, de que o hiv é um vírus que ataca somente homens gays e mulheres trans, na época era muito pior.


Ser queer deixou de ser transgressivo, moderno, para ser perigoso.


Como um dos testemunhos descreve, passou-se abruptamente de uma alegria efervescente para uma tristeza profunda. Amigos cuidando de outros, enjeitados por suas famílias.


A Elisa Mascaro ia de madrugada no IML buscar corpos de pessoas conhecidas cujas famílias não queriam nem mesmo enterrar. Ela mandava vir AZT dos Estados Unidos para distribuir para seus amigos.


Como Kaká di Polly diz: foi o fim do luxo da noite paulistana

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