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  • Lhivros e Arthivismo

Filme - THE GARDEN - Derek Jarman



Ele teve o resultado de sorologia positiva para o hiv em 1988, e faleceu por complicações advindas da aids em 1994. E esta obra é em parte seu grito de raiva e frustração pela homofobia reinante, assim como pelo abandono que os gays sofreram na época mais cruenta da pandemia de aids.



Lançado em 1990, o filme "The Garden" tem como premissa ser um constructo subjetivo de questões religiosas provenientes da cabeça do próprio Derek. Inclusive, foi durante as gravações dele que Derek ficou bastante doente pela primeira vez por causa da aids.


Por exemplo, a partir dos 4 minutos, observa - se um casal abraçado, ambos tristes e desolados, enquanto um homem com roupas de couro rasteja no solo, representando Adão e Eva expulsos do Paraíso (talvez daí o nome do filme).


Ele quase não tem diálogos, expondo as criações mentais do diretor cruamente ao público. As emoções dele são jogadas na tela sem pudor, como se fossem sonhos e o único filtro é justamente o religioso, ao mesmo tempo, primitivo e selvagem, com uso intensivo dos quatro elementos (fogo, terra, ar, água).



Uma cena que também me chamou a atenção foi a de várias senhoras vestidas de roupas negras, fazendo sons com os dedos em taças de cristal, enquanto Maria, mãe de Jesus, interpretada por Tilda Swinton, surge por detrás. Pouco depois, ela será vilipendiada por fotógrafos papparazzi. Dela será o grito que reverbera em várias ocasiões ao longo do filme, como se o mesmo saísse da boca do diretor.



E mais, em outra cena, um jovem Judas enforcado, com sua língua para fora, serve como instrumento/ator em um comercial de cartão de crédito.


Um casal gay aparece em diversas cenas... Eles são idealizados, atacados, molestados, açoitados. Estão à mercê dos poderes temporais. São E só podem contar consigo mesmos.


"The Garden" compartilha uma linguagem metafísica parecida à utilizada pelo filme "A Última Tempestade" de 1991, escrita e dirigida por Peter Greenaway (um de meus filmes preferidos).


Em uma das poucas falas do filme, já para o final, o narrador diz que "Eu ando neste jardim de mãos dadas com amigos mortos. A velhice chegou cedo para minha geração congelada. Frio, frio, frio: eles morreram tão silenciosamente."


Jarman aparece em algumas cenas, recostado sobre uma mesa, ou sonhando em uma cama que flutua sobre as águas. Sempre abatido, sempre deitado ou reclinado, e isso também tem um propósito, o de documentar a própria finitude, que ele aprofundou no seu filme "Blue" de 1993.


Apesar da descrição até aqui soar bastante sombria, o filme não é propriamente pesado. Ele parece ter a intenção de queimar o velho para deixar ressurgir o novo. Por exemplo, em uma cena, enquanto uma jovem canta "pense rosa ..." o casal gay, onipresente ao longo de toda a obra, segura um bebê, como que reproduzindo o estereótipo da típica família cristã da época.


Mas mesmo nestas cenas mais leves, há uma pesada crítica, pois mostra como o casal, que aqui representaria toda a comunidade LGBTQIA+, teria que se enquadrar nos padrões heteronormativos para que seja "aceito" (com muitas aspas).

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