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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - A CIDADE SOLITARIA - Olivia Laing

O livro "A Cidade Solitária" da Olivia Laing, publicado pela primeira vez em 2016, foca principalmente no sentimento de solidão, que pode acontecer em qualquer lugar, mas costuma ser muito mais recorrente nas grandes cidades.


Parece, inclusive, que quanto mais gente, maior o isolamento social. E entre almas artísticas, aparentemente, a solidão pode ser ainda mais grave.



A autora faz uma espécie de autoanálise/autobiografia de sua solidão, ao passo que costura biografias das solidões de artistas famosos estadunidenses. Andy Wharhol, por exemplo, é descrito. Mas não só ele, a autora fala também da solidão interior que assolava Valerie Solanas, a mulher que quase o matou.


David Wojnarowicz também foi um dos abordados no livro. Ele foi um pintor, escritor, fotógrafo, diretor, compositor e ativista do hiv/aids e que faleceu em 1992 por complicações advindas da mesma. Este artista é bastante conhecido por sua série de fotos. Nela, um homem, sob uma máscara do poeta Arthur Rimbaud, mesmo se movendo por entre as multidões nova-iorquinas e seu então decadente cenário de crime, drogas e aids, está sempre alheio às pessoas que o cercam. Mais tarde, o próprio Wojnarowicz diria que aquelas fotos teriam nascido a partir de situações “desesperadas” e representavam “um vago esboço biográfico do que meu passado havia sido”.


Outra personalidade abordada na obra é o também artista Klaus Nomi, que foi descrito por seu empresário como "uma das pessoas mais solitárias da Terra", e que também faleceu por complicações advindas da aids em 1983.


Aqui, com Klaus Nomi, a autora fala pela primeira vez do surgimento da pandemia de aids e como ela ampliou o sentimento de solidão por toda aquela geração.


"O que significava ter aids naquela época, quando o diagnóstico era uma sentença de morte quase certa? Significava ser percebido como um monstro, um objeto de terror até para o pessoal da medicina. Significava estar preso num corpo considerado repulsivo, tóxico, imprevisível e perigoso. Significava ser evitado pela sociedade, sujeito a pena, nojo e medo horrorizado." (pg. 147)


Olivia narra inclusive como Andy Wharhol, que tinha pânico da morte, mesmo tendo atuado em campanhas diversas da causa hiv/aids, era extremamente sorofóbico.


Por fim, a autora chega ao prédio em Chicago onde Henry Darger trabalhou como zelador enquanto, antes de alcançar postumamente a fama de um dos mais celebrados artistas outsiders do mundo, produziu obras de um esplendor quase sobrenatural: aquarelas desconcertantes que combinavam elementos encantadores, de contos de fadas, a imagens perturbadoras de meninas pequenas com pênis e cenas coloridas de tortura em massa.

O que significa estar solitário? Como vivemos quando não estamos intimamente envolvidos com outro ser humano? De que forma nos conectamos com outros indivíduos? A tecnologia é capaz de nos aproximar ou simplesmente nos aprisiona atrás de telas? Estas são perguntas feitas nesta obra.


É um livro que pode ser um pouco difícil para algumas pessoas, que podem ter gatilhos ativados, mas vale a pena, pois a identificação pode gerar um maior entendimento de nossos próprios processos, como um remédio amargo para nossas dores.

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