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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - A HARTE DE VIVER - Anderson Ferreira

O primeiro capítulo do livro "A Harte de vIVer", escrito por Anderson Ferreira, é basicamente introdutório, apresentando ao leitor a base familiar do personagem principal, William. O pai Eduardo e a mãe Mariana eram duros e de condições simples, cotidianos, e que viviam no interior da Bahia.


Sim, o nome do autor é o mesmo do personagem principal. Sim, é uma autobiografia. O livro esteve disponível no site do autor desde 2003, e neste ano, após passar por uma revisão, foi publicado.



Eduardo se muda para a cidade de São Paulo com ainda 16 anos, naquela época conhecida como a Terra das Oportunidades. Mariana grávida do segundo filho, vai ao hospital no momento do parto, que tem tudo para ser muito difícil. Os pais queriam uma menina, mas nasceu outro menino, que recebeu todo o ciúme e a inveja do pai.


O segundo filho foi batizado de Anderson, e desde criança tinha traços femininos, sendo lido como menina na rua. Tal elemento da natureza do menino afastou o pai ainda mais dele. Na verdade, toda a familia era bastante desajustada. Eram muito pobres, não tinham nenhum tipo de luxos, mas ainda assim Anderson era um bom aluno. Cada vez mais pobre, a familia se mudou para Guarulhos, e passou a morar em um barraco, o pai passou a beber cada vez mais e assim a vida foi seguindo...


Anderson passou a trabalhar na farmácia de Vitor sempre com extremada dedicação. O dono era altamente homofóbico, mas mesmo assim Anderson amava o patrão. Amor de filho, amor de homem.


Tinha também uma depressão cada vez mais profunda, por não aceitar o fato de ser gay e por sentir que todos os seus sonhos foram frustrados, tanto que tentou se matar em duas ocasiões. Seu grande amigo Alexandre estava morto repentinamente. Um caminho marcado por perdas.


E chega a maioridade... Agora já lida melhor com sua sexualidade, sente que deve esperar por um homem que o ame, mas na verdade as sensações físicas são mais fortes...


Ele passou a fazer sexo com desconhecidos sem vínculo emocional, até que conheceu Fernando, e passaram a namorar.


Ao ser convidado a ir a uma boate gay, viu uma pessoa muito magra, e todas as outras à volta falavam que seria por causa da aids. Era a primeira vez que Anderson tinha contato real com a palavra.


Em uma ocasião, após ter se separado de Fernando e continuado a curtir sua vida, descobriu que estava com sífilis secundária. Isso era em 1986, e naquela época, por não haver nenhum tipo de tratamento para a infecção do hiv, a grande maioria dos médicos não recomendava aos seus pacientes fazerem o exame sorológico para o vírus.


Resolveu fazer o famigerado exame pouco depois, e em março de 1987 descobriu que vivia com hiv. E no momento, mesmo ele ter tentado se matar duas vezes, nunca quis tanto continuar vivo.


A vida o levou para muitos caminhos, especialmente com a amizade de Vitor, que foi um verdadeiro pai/irmão para ele. Graças ao amigo, ele pôde passar um ano e meio morando na Inglaterra para aprender inglês.


Voltou ao Brasil, namorou, ficou solteiro, namorou novamente, tornou-se um excelente professor de Inglês...


Viveu inúmeras historias a partir deste ponto, envolveu-se cada vez mais com o Espiritismo (que está bastante presente em sua obra, melhorou muito como pessoa, e viu, não sem surpresa, os anos passarem. Entre o final do ano 1995 e começo de 1996, passou por diversas hospitalizações. Chegou ao ponto de ter um CD4 de 97, ou seja, estava em fase de aids.


E teve um longo relacionamento com um homem, o qual amava, que machucou muito nosso personagem principal. E como demonstra o posfácio, escrito em janeiro de 2021, Anderson continua bem, vivendo, trabalhando e indetectável.


O livro mostra um ponto de vista que para nós hoje é raro, pois conta uma história de vida com hiv de 33 anos. Sua escrita é bem detalhista, o que nos dá um entendimento quase panorâmico de sua realidade.

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