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Livro - ALEGRES E IRRESPONSAVEIS ABACAXIS AMERICANOS - Herbert Daniel

O livro "Alegres e Irresponsáveis Abacaxis Americanos" foi escrito por Herbert Daniel, o grande filósofo do hiv/aids no Brasil, e publicado em 1987, antes de ele divulgar sua sorologia abertamente, o que aconteceu dois anos depois. Ele faleceu por complicações advindas da aids em 1992.



Já em suas primeiras páginas, lemos em letras maiúsculas a frase "PEDRO PEGOU AIDS", ou seja, ele já mostra a que veio. Aliás, foi realmente o segundo livro brasileiro tendo como tema o hiv/aids, tendo sido publicado em junho de 1987, ao passo que o autodeclarado primeiro livro no Brasil sobre hiv, o "Socorro! Estou Morrendo de Aids", de Adelaide Carraro, veio à luz em abril daquele ano. A correção da informação veio gentilmente do pesquisador Leandro Noronha @leandronoronhaf que me alertou para o erro em apontar este livro como o primeiro no Brasil a abordar o tema.


Gauderêncio, que morava na vila onde se passa o texto, morreu e estão todos velando o falecido, comentando que a provável causa da morte teria sido a aids, especialmente pelo fato de o falecido ter sido afeminado, e com amigos idem. Ali já se demonstrava o estigma que recaía sobre homossexuais em relação ao hiv.


Seus pertences pessoais são queimados... Como no texto: "Aids não sai com água...". Os capítulos do livro também possuem nomes interessantes. O sexto, por exemplo, chama "Os Primeiros Sintomas Já São os Últimos". E o nome do livro tem relação com uma passagem no sétimo capítulo, bem divertida aliás, em que uma mulher conta a sua avó sobre a aids.


A história, assim, tem como premissa apontar a homofobia, desenvolvendo a queratina das reações sociais diante da ameaça que o hiv trazia, oferecendo não só a criação de personagens que vivem com hiv, como também em um contexto de terror e desinformação dos outros, lembrando que a obra foi lançada em 1987.


O livro tem uma escrita diversa da adotada nas obras teóricas do autor, muito menos fluida, chegando a ser prolixa. Personagens demais, passagens textuais idem, e caso ele tivesse editado o texto, o mesmo caberia adequadamente na metade das páginas.


Apesar disso, a obra é histórica, pelo que representa, por ser o segundo livro sobre o tema a ser lançado no país, e por seu autor, um baluarte da história do hiv/aids no Brasil.

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