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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - AS INICIAIS - Bernardo Carvalho

O livro "As Iniciais" de Bernardo Carvalho foi publicado originalmente em 1999 discorre, ao longo de todo seu texto, como várias iniciais se entrelaçam: personagens, locais, e as inscritas em uma caixa de madeira.



Sua narrativa, justamente pela grande quantidade de iniciais, parece um pouco confusa, mas vamos destrinchar a obra. Ela se divide em duas partes: A. e D. Na primeira parte, um narrador inominado, que informa ser repórter em férias, está de férias com seu namorado ou marido C, junto a alguns amigos artistas em um mosteiro.


Em um determinado momento, o narrador recebe uma caixa de madeira, de ótimo acabamento, mas com quatro iniciais gravadas toscamente: "VMDS"...


A questão do hiv/aids está fortemente presente em toda a obra, mesmo não sendo nomeada em nenhum momento.


"Não me lembro se naquele tempo eu já sabia. M. tinha me falado “sem mais nem menos”, como ele mesmo dissera, uns anos antes, numa noite de inverno em R., sobre a sua própria doença, dando-me uma prova de confiança que na época muito me comoveu..."


E também: "G morreu seis meses depois de M, de uma maneira fulminante - ... - pegando todo mundo desprevenido, já que não tinha apresentado antes os sinais da doença que havia debilitado M ao longo dos anos, até deixá-lo um fiapo de gente."


A e C não estão mais juntos, mas conversam todos os dias ao telefone... Como se C quisesse manter o vínculo existente, ou já não mais existente, entre ambos. C parece culpar A por sua realidade, mas ele "...como H, C também sobreviveu mas, ao contrário dela, não está doente..."


E sobre as iniciais VMDS gravadas na caixa? Todas as tentativas do narrador em traduzir seu significado são em francês, então esperamos algo neste idioma. A primeira frase do narrador foi "vous m'avez donnez le salud" (você me deu a saúde), mas pelo próprio teor do texto, eu suporia algo do gênero "vous m’avez donné le Sida" (você me deu a aids)...


Em outro trecho, temos:


"Tinha emagrecido muito desde a última vez. Não sei de onde tirava sua força. Não reclamava de nada, como se o corpo, que sofria, fosse acessório."


Já no final do livro, ao relembrar sobre um australiano que conheceu, narrou "...como fazia todas as manhãs e noites de sua vida e teria de fazer pelo restod e seus dias, como condição para continuar vivo, abriu a mochila e começou a tirar vários frascos plásticos e de dentro deles várias pílulas, que ia colocando num outro frasco menor... Na manhã seguinte, ele repetiu o mesmo ritual do coquetel de remédios..."


Assim, tal como Caio Fernando Abreu fez em algumas de suas obras, podemos perceber a aids pelos sintomas que acometem ou acometeram alguns Ivirtualmente todos) dos personagens, mas nem o vírus, nem a doença, são nomeados. O livro é fantástico e eu já estou com vários outros deste autor na fila pois amei seu estilo.

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