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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - AS MASCARAS DO MEDO LEPRAIDS - Italo A Tronca

Seguindo a trilha de Susan Sontag, Ítalo Tronca analisa o impacto social de determinadas enfermidades, fazendo aqui um paralelo entre duas doenças estigmatizadas: a hanseníase (conhecida popularmente como lepra) e a aids.


Em relação à primeira, considera-se uma abordagem a partir do século XIX, para que seja possível uma comparação, já que esta doença era estigmatizada desde os tempos bíblicos.



Ambas surgem de grupos considerados "o outro". Este outro é marcado por três eixos: a população, a geografia e a sexualidade, e é sobre as questões sociais em comum entre ambas as doenças que o autor se debruça.


A hanseníase era a doença dos povos amarelos, dos chineses, japoneses, do Oriente. Ela tocou a civilização ocidental pelos Estados Unidos, via Havaí.


No caso da aids, o fenômeno não foi diferente. Africanos e haitianos teriam sido os responsáveis por levar o hiv aos Estados Unidos.


Ainda, em relação à sexualidade, há uma outra proximidade entre ambas. Os estadunidenses viam os chineses como promíscuos, e mulheres chinesas escravizadas eram vendidas aos bordéis da Califórnia. E mais, havia a crença de que as pessoas acometidas pela doença sofreriam de um maior impulso sexual.


E no caso da aids... Nem são necessárias muitas explicações. O estigma que recai sobre o sexo, especialmente o sexo anal, o feito entre homens, o feito com mulheres trans, é demonizado.


Podemos avançar mais ainda. Se na hanseníase as mulheres era uma das maiores fontes de infecção, no caso da aids a parcela da população alvo era e é a gay e a de mulheres trans.


Ambas as doenças geravam quadros físicos desumanizadores. Mais um ponto em contato entre elas.


E também ambos os infectados foram perseguidos. E no caso da hanseníase, no Havaí, os sintomáticos foram perseguidos e isolados em Kalaupapa na ilha de Molokai. Somente em 1960 os lá jogados puderam retornar. No Brasil, os leprosários, depósitos de gente, vigeram até a década de 60. Sem dúvida, se a aids tivesse surgido naquela época, sem dúvida haveria a existência de "sidários", ou depósitos de pessoas vivendo com hiv em fase de aids.


Até mesmo no caso de doenças infectorrespiratórias, como a própria covid - 19, o medo criou narrativas similares. A lenda do vírus "chinês", espalhado propositadamente pela China.


Interessante a escolha do autor, em exemplificar sua narrativa com lendas, histórias e contos de diversos autores, inclusive um brasileiro, Bernardo Élis, com seu texto "A Morfética". O resultado soa como lírico, ou arquetípico.

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