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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - CORPO A CORPO - AIDS DIARIO DE UMA GUERRA - Alain Emmanuel Dreuilhe

Alain Emmanuel Dreuilhe escreveu o livro "Corpo a Corpo: AIDS, Diário de Uma Guerra" em 1987, começando a escrever um ano depois de descobrir viver com hiv e veio a falecer por causa de complicações advindas da aids um ano após.


Desde já eu digo que este não é um livro para uma pessoa que tenha descoberto recentemente viver com o hiv, ou que tenha problemas em relação à sua sorologia. Aviso de gatilho.



Vemos as metáforas militares relacionadas ao hiv/aids como extremamente complicadas, pois não só estigmatizam a doença, mas também, e principalmente, os afetados por ela. E isso acontece porque tais metáforas atribuem a responsabilidade aos infectados, assim como os tornam um perigo aos não infectados.


E este livro foi inteiramente escrito sobre noções militares, de forma incessante. O autor chega inclusive a comparar as relações de amizade e amor que poderiam surgir em contatos nas salas de espera dos consultórios médicos com as relações entre soldados espartanos. É um massacre bélico ao longo do primeiro terço da obra.


A partir daí, ele descreve sua vivência com o vírus, primeiramente em relação ao seu companheiro Oliver, que faleceu por causa da aids. Expõe como, mesmo sendo um casal vivendo com hiv, pelo fato de um estar em estágio avançado de aids e o outro não, havia uma distância cada vez maior entre eles, até o momento em que o próprio Oliver, com o auxílio de sua mãe, desligou os aparelhos que o mantinham vivo.


Então sozinho, Alain continua a contar como ele encara sua relação com o vírus, sempre em termos militares. Ele, na verdade, é vítima do próprio enfoque que adotou. Percebe-se claramente que ele confunde o vírus, e o seu corpo, como o inimigo a ser combatido.


O autor também mostra seus medos e sua frustração sobre o fato de estar, ele também, em estágio de aids. Até mesmo em tons bastante pesados, frutos de seu próprio sofrimento. Por exemplo:


"Infelizmente, a aids não oferece essa sorte aos homossexuais narcisistas; ela os rói com seus pequenos dentes de rato, cobrindo com sua hera sufocante seus rostos e corpos, de maneira que, quanto mais a vítima se debater de pânico, mais as cordas se apertarão, até uma tenda de oxigênio recobrir o doente, preso na armadilha, para prolongar seus sofrimentos."


É até difícil imaginar o peso psicológico que a "sua aids" infligia ao escritor. Ele até mesmo diz que não suporta que as pessoas que não vivam com o vírus (que ele chama de "civis") falem sobre a aids.


Ao mesmo tempo, ele tem uma fúria que também movia Herbert Daniel. Alain inclusive fala sobre a "morte civil" que tanto inflamava HD. Por várias vezes peguei correlações entre as mensagens de ambos, mas eles seguiram caminhos opostos na exteriorização de suas dores.

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