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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - DEL CONCILIO DE TRENTO AL SIDA - UNA HISTORIA DEL BARROCO - Ignacio Iriarte

O Barroco é um período que gerou posições conflitantes ao longo da história e permite encadear uma série de debates cruciais na literatura, na arte e no pensamento. Este livro pretende reconstituir parte dessa história através de um percurso pelos principais marcos de uma marcha que ainda está em andamento, tendo como eixos ideias sobre linguagem, política e religião.



Da supremacia da religião no século XVII à dissolução do labirinto barroco pelos ilustrados, dos românticos, que resgataram o teatro de ouro como signo de caráter nacional, às reescritas de Walter Benjamin, José Lezama Lima, Jacques Lacan, Severo Sarduy, Gilles Deleuze e Néstor Perlongher, Do Concílio de Trento à AIDS mostra a construção histórica do período barroco e os usos que dele se fizeram para pensar a literatura, a subjetividade e as formas de organização do social.


O barroco precisa ser pensado através de divisões cronológicas e geográficas para conectar arquitetura e dança, pintura e ciências naturais, filosofia, escultura e música (e não no sentido de representações da música) e, acima de tudo, em relação ao encontro com a diferença – celestial , terreno, social, político, religioso, geográfico. Que possibilidades no barroco se abrem agora em relação aos dilemas presentes na história da arte e nos acontecimentos mundiais?


Embora os estudiosos abaixo reconheçam que o barroco é frequentemente equiparado ao estilo ou período histórico, é mais produtivo pensar além deles. Mieke Bal argumentou que a epistemologia barroca permite uma “qualidade alucinatória” da relação entre passado e presente que também permite uma liberação de uma suposta objetividade acadêmica, ao mesmo tempo em que insiste que o envolvimento com o passado deve permanecer desconcertante e profundamente perturbador.


Em vez de reprimir o passado e do tempo, a retrospecção criativa permite que suas implicações emerjam. Em sua materialidade e corporeidade, o barroco mina a resolução, tateia em direção à fragmentação, supera e supera. A arquitetura barroca pode ser vista como transbordante, excesso de exterioridade ornamental e proliferação evasiva. Isso traz à tona a questão da superfície.


Agora, o que o Barroco teria a ver com o hiv/aids a ponto de transpor uma barreira de séculos?


O termo neobarroco, surgido pela primeira vez em artigo de Severo Sarduy em 1972, não se refere a uma vanguarda literária e poética. Através do que o neoborroco não é, o poeta nos dá uma precisa definição da "escola" moderna cubana:


"O neobarroco não é uma vanguarda; não se preocupa em ser novidade. Ele se apropria de fórmulas anteriores, remodelando-as, como argila, para compor o seu discurso; dá um novo sentido a estruturas consolidadas, como o soneto, a novela, o romance, perturbando-as. O ponto de contato entre o neobarroco e a vanguarda está na busca de vastos oceanos de linguagem pura, polifonia de vocábulos".


O neobarroco pode ser entendido como uma apropriação, ou releitura, caracterizada por um apetite pela virtuosidade, instabilidade, polidimensionalidade, ritmos frenéticos e mudança.


A resposta está na tragicidade e na desesperança que a aids trouxe a toda uma sociedade, durante quase duas décadas, até que as terapias de alta eficácia surgissem e se popularizassem. Essa dor, aliada à uma necessidade estética de fugir do controle social que foi reafirmado, especialmente sobre os corpos considerados queer e desviados do padrão esperado.


O autor deste livro, então, passa a discutir como os autores supramencionados são permeados por esta realidade, e absorvem elementos do neobarroco como a desesperança, a busca pela ruptura da ordem social e com isso a construção de novos antagonismos.


Apesar de o livro não citar as mortes dos autores analisados sobre o neobarroco e a aids, a mesma, de uma forma ou de outra, afetou a todos eles. Deleuze se atira da janela do seu apartamento por sofrer de um câncer do pulmão gravíssimo, Perlongher e Sarduy faleceram por complicações advindas da aids.


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