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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - DOIS GAROTOS SE BEIJANDO - David Levithan

O livro "Dois Garotos se Beijando" foi publicado em 2013, e já abre incisivamente, decretando que os que vivem agora não sabem como é para nós agora, sempre estarão um passo atrás, e também não sabem como era para nós antes, pois estão um passo à frente. Enquanto nós nos tornamos o passado distante, os que vivem agora se tornam um futuro que poucos de nós poderiam ter imaginado. Aqui, o "nós" se refere às pessoas que vivem com hiv.



Do lado de fora da escola, ao ar livre, rodeados por câmeras e por uma multidão que, em parte apoia e em parte repudia o que estão fazendo, Craig e Harry estão tentando quebrar o recorde mundial do beijo mais longo. Craig e Harry não são mais um casal, mas já foram um dia. Peter e Neil são um casal. Seus beijos são diferentes.


Avery acaba de conhecer Ryan e precisa decidir sobre como contar para ele que é transexual, mas está com medo de não ser aceito depois disso.


Cooper está sozinho. Passa suas noites em claro, no computador, criando vidas falsas online e seduzindo homens que jamais conhecerá na vida real. Mas quando seus pais descobrem seu passatempo proibido, o mundo dele desaba.


Cada um desses meninos tem uma situação diferente. Alguns contam com o apoio incondicional da família, outros não. Alguns sofrem com o bullying na escola, outros, com o coração partido.


Mas bem no centro de todas essas histórias paralelas está o amor. E, através dele, a coragem para lutar por um mundo onde esse sentimento nunca seja sinônimo de tabu.


Em diversos trechos, o autor nos chama a refletir sobre as mudanças temporais, seja em relação às sexualidades não hetero, seja em relação ao hiv. Por exemplo, na pg 13:


"Raramente somos unânimes em relação a alguma coisa. Alguns de nós amaram. Alguns não conseguiram... Alguns queriam tanto que morreram tentando. Alguns juram que morreram de coração partido, não de aids."


Ou à fl.16: "Isso é o que acontece quando se fica muito doente: dançar deixa de ser uma realidade e passa a ser uma metáfora. Com mais frequência do que se imagina, é uma metáfora nada gentil. Estou dançando mais rápido que consigo. Como se a doença fosse o violinista que fica tocando cada vez mais rápido, e perder o passo é morrer..."


Há um ressentimento por parte do autor sobre como essa geração atual não precisa mais passar pelo inferno da aids, em como as preocupações contemporâneas são aparentemente "menores". Parece haver também uma "culpa de sobrevivente", mas pode ser que o autor somente esteja preocupado em não deixar o mundo esquecer.


Sim, o narrador é um sobrevivente, mas sem um corpo físico. O narrador/autor é um dos mortos em consequência da aids, como um fantasma. Isso, um fantasma ressentido. Ele se sente à vontade entre os seus, as pessoas que vivem com hiv. Como quando descreve Tom Bellamy e diz que ele é um de "nós".


Também quando compara o desconforto de Cooper, ao acordar dentro de um carro, ao desconforto de ser acordado no meio da noite, "às vezes, havia tubos enfiados em nossas gargantas. Às vezes, estávamos ligados a máquinas que pareciam mais vivas do que nós..."


E mais, o estigma ainda presente sobre todas as pessoas vivendo com hiv e homens gays é demonstrado no livro, como quando um ouvinte fala a uma rádio sobre o beijo público de Craig e Harry.


O autor faz pontes entre o passado e o presente, entre como era ser gay há 40 anos e como é ser hoje, como era viver com hiv naquela época e como é viver hoje com o vírus.

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