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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - NAO DIGAM QUE ESTAMOS MORTOS - Danez Smith

Danez Smith é uma pessoa negra, não binária e que vive abertamente com hiv, sendo poeta e performer. Elu carrega no corpo o perigo de morte — essa é a sensação que transparece de seus escritos dilacerantes.


A edição bilíngue de “Não Digam que Estamos Mortos”, com posfácio do artista Ricardo Aleixo e tradução do também poeta André Capilé, é a primeira publicação no Brasil de Danez.



Seus poemas são ácidos, crus, amargurados, demonstrando as situações em que corpos negros, corpos queer, corpos positivos, vivem nos Estados Unidos. Não estranhamente, muitas destas situações também ocorrem em nosso país, e por isso conseguimos nos identificar tanto com eles.


Há poemas que falam sobre as complicações que pessoas negras, afeminadas, ou fora do padrão estético vigente sofrem em aplicativos de encontros. Há também os que falam sobre os riscos que pessoas queer e negras sofrem.


Os há, também, que abordam a vida com hiv, e como o vírus afeta a vivência da sexualidade. Um exemplo é o poema "Bare", que poderia ser melhor traduzido como "No pelo" e não "Nu", como o tradutor optou. Em seus versos, estão falas como "Por você, mandaria meu corpo para a luta contra meu corpo, deixaria meu corpo cantar/ de rasgar-se aos pedaços, cordas ocas do combate intravenoso dos cavaleiros brancos".


Continua também "O amor me deixa queimar se isso significa que você e eu teremos uma noite sem barreiras além da pele. Isso não é sobre perigo, mas sobre fé..." "...fique em mim até que nossos corpos esqueçam o que nos diide, até que suas mãos sejam suas mãos e seu sangue seja meu sangue e seu nome seja meu nome e o dele e o dele".


Outro texto do livro relacionado ao hiv é o chamado "Soroconversão", que descreve que, após uma relação sexual com um desconhecido, ambos dividem seus sangues e seus "monstros", descritos como animais fantásticos, e que depois de se separarem, nunca esquecerão um do outro, o que seria impossível já que agora eles compartilham suas realidades...


O pequeno poema, chamado "Medo de Agulhas", também trata sobre o hiv. O seguinte, chamado "Imprudentemente", trata de PREP, da mera confiança com que as pessoas aceitam se relacionar sexualmente com estranhos, confiança esta fundamentada no tesão.


Outro poema, sem nome, repete várias vezes "isto não é mais uma sentença de morte".


Em diversos poemas, a questão do sangue, como definidor, ou como elemento de funcionamento vital, está presente e na maioria das vezes, como elemento com um valor negativo.


Há também um poema chamado "1 em 2", em que ele coloca que o CDC (Centro de Controle de Doenças) dos EUA definiu que em algum momento da vida, 1 em cada 2 homens negros que fazem sexo com homens naquele país viverá com hiv. O texto é super emocionante, e faz um jogo com as palavras diagnóstico, destino, diáspora, praga e genocídio.


E finalmente, o poema "Imprudentemente" faz um jogo de palavras entre cell, de célula, mas também de cela, e que foi publicado em homenagem a Michael Johnson, que teria sido condenado e preso por ter feito sexo sem ter avisado seus parceiros de que vivia com hiv.

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