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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - O TEMPO NAO PARA VIVA CAZUZA - Lucinha Araujo

Escrito por Lucinha Araújo, a mãe de Cazuza, o livro "O Tempo Não Para - Viva Cazuza" é como um diário testemunhal do amor que ela sente pelo filho.


Descreve o processo de luto após o falecimento de Cazuza por complicações advindas da aids em 1990, e como ela criou a fundação Viva Cazuza, que desde o início teve como propósito cuidar de crianças vivendo com hiv/aids órfãs ou abandonadas por suas famílias.


Sua escrita é altamente pessoal, direta, sem rodeios, da mesma maneira como se expressa oralmente. Aliás, o livro parece um diário, com capítulos bem curtos, mas não menos emocionantes. As histórias narradas por ela, especialmente as das primeiras crianças, Marcel e Newton, são de cortar o coração.


Crianças indesejadas por suas famílias, ou que não tinham quem cuidasse delas porque a vizinhança não aceitava... São relatos apavorantes pela desumanidade.



Há um relato muito forte também sobre uma menina de 4 anos que morava na fundação e perguntou a Lucinha se ela havia matado seu filho. Após muito se incomodar com este questionamento, ela entendeu que como todas as crianças ali haviam se infectado por transmissão vertical, a menor achava que era culpa das mães a morte de pessoas vivendo em fase de aids. Pensar que uma criança de 4 anos tenha sido obrigada a racionalizar questões tão profundas de vida e morte é assustador.


No livro, conta-se como a chegada dos antirretrovirais alterou profundamente a vida das pessoas vivendo com hiv, entre elas as crianças. Ainda, como Lucinha reflete que houve casos de crianças que tinham uma vida melhor por causa do hiv, e que muitas delas, caso não tivessem o vírus, estariam em situações de penúria absoluta.


E obviamente, a autora a todo momento descreve episódios relacionados a Cazuza, episódios que somente uma mãe pode viver com seu filho. O livro, assim, é formado por uma coleção de biografias...


Mais ainda, há capítulos do livro que consistem no depoimento de pessoas que conviveram diretamente com ele, como Ney Matogrosso e Sandra de Sá.


Já tive a oportunidade de assistir a uma palestra da Lucinha há muitos anos e foi uma experiência extremamente enriquecedora. O livro idem.


Infelizmente, ou não, a fundação Viva Cazuza encerrou suas atividades em outubro de 2020, pois com a mudança da epidemiologia de hiv/aids, houve uma diminuição drástica de casos de transmissão vertical (infecção da criança pela mãe, seja na gravidez, no parto ou pela amamentação), e assim, o objetivo da instituição se diluiu. Mas ela continuará com o auxílio a pessoas carentes vivendo com hiv/aids.

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