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  • Lhivros e Arthivismo

Livro - PASSAGEM PRA VIDA - Overland Airton

Conforme relato do próprio autor, o mesmo já desenvolveu sintomas da vida com hiv/aids antes dos primeiros casos serem relatados no país. Ele viveria com o vírus, mais exatamente, há 40 anos, tendo sentido seus gânglios inchados no pescoço e na virilha, além de uma febre persistente.



Ele diz ainda que tratava da febre com antitérmicos, e chegou a passar por mais de 15 biópsias dos gânglios, sempre sem resultado. Somente soube do diagnóstico da vida com hiv quando o primeiro teste para a sorologia chegou ao Brasil.


Este livro foi lançado em 1992, e o autor chegou a dar uma entrevista para a Xuxa nos anos 80. Aliás, foi a partir desta entrevista que ele resolveu escrever seu livro.


"Passagem pra Vida" foi um dos primeiros livros brasileiros autobiográficos sobre o hiv que seguiam a receita de livros comerciais. Ele teve seu prefácio escrito pela própria Xuxa, foi lançado pela Editora Globo e vendido em bancas de jornais, ostensivamente, inclusive com a palavra "hiv" na capa.


Em que pese ser um livro autobiográfico, o nome do personagem principal é Marcelo Miranda, que nasceu em um povoado do interior do Pará, com um pai extremamente difícil, e se muda para Brasília e depois para o Rio de Janeiro.


Lá, ele se torna um bancário, que ao descobrir sua sorologia positiva tem a sorte de contar com uma rede de apoio.


O fato de viver com hiv lhe é bastante complicado, e ele passa a viver uma epopeia, em que o preconceito, inclusive que vem de si próprio, não lhe permite muitos momentos felizes.


Passa por diversas intervenções médicas, e descreve como a sorofobia, mesmo no hospital em que recebia tratamento, estava sempre presente (por exemplo, na sala de exames, havia um cartaz com nomes de pacientes que viviam com hiv e que a equipe tivesse cuidado redobrado com eles pois seriam "aidéticos").


Seus relacionamentos afetivos também eram complicados. Diversos homens que não se assumiam gays, em um contexto social bem menos aberto que hoje, afetaram bastante o emocional do personagem/autor.


Interessante que boa parte da narrativa das histórias e memórias no livro acontecem no consultório do terapeuta de Marcelo, que acaba sendo um dos locais principais de "Passagem pra Vida".


O autor está vivo e muito bem até hoje. Confesso que amo descobrir que autores de livros que leio estão vivendo em plenitude, mesmo após tantas décadas de vida com hiv. Isso me dá esperança, e aquece meu coração.


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