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Livro - REVOLUCIONARIO E GAY A VIDA EXTRAORDINARIA DE HERBERT DANIEL- James Green

"A hora ainda não chegou de autobiografias; preparemos hipóteses para autocríticas.” Herbert Daniel Passagem Para o Próximo Sonho, 1982.


Com uma frase destas, e conhecendo a trajetória de Herbert Daniel já se sabe que sua biografia traria ainda mais lições. O biografado é um marco brasileiro e mundial da luta por direitos humanos das pessoas LGBTQIA+ e das que vivem com hiv/aids.



Todos nós brasileiros, especialmente os LGBTQIA+ e principalmente os que vivam com hiv/aids, devemos muito a ele.


Nas palavras do autor:


"Seu confronto com a atitude conservadora da esquerda diante da homossexualidade nos anos 1970 e 1980 ajudou a construir as bases para as interações do movimento LGBT com os políticos progressistas e o governo do final do século XX e início do século XXI. Suas contribuições inovadoras e criativas para combater a discriminação contra as pessoas com HIV/aids foram fundamentais para moldar tanto as políticas oficiais quanto o ativismo de base."


Herbert tem uma faceta política pouco divulgada. Era um líder de esquerda, que precisou omitir sua homossexualidade por causa disso. Foi líder do (então dissolvido) grupo guerrilheiro Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi exilado na Europa de 1974 a 1981,


Retornou do exílio já como ativista dos direitos humanos das pessoas LGBTQIA+,


O biografado tornou público o fato de viver com hiv em 1989,


Faleceu por complicações advindas da aids em 1992, mas como disse várias vezes, já estava morto civilmente por causa do preconceito social.


Nas palavras de José Stalin Pedroso, Herbert Daniel “foi o primeiro a deixar claro que essa luta [pelas pessoas com aids] não era uma questão pessoal, mas sim uma questão de direitos humanos.”


E em suas próprias palavras, lidas por Cláudio, seu marido, no enterro:


Tenho aids há muito tempo. Décadas, talvez. Minha principal descoberta, no entanto, é que estou vivo. Tenho estado bem com minha aids e tenho sofrido. É só uma doença. Espero que um dia, quando finalmente a morte me levar, ninguém diga que fui derrotado pela aids.”


Falando em Cláudio, eles tinham um casamento aberto, em que Cláudio teria, digamos assim, "aproveitado" bem mais de tal abertura. Contudo, não se infectou com o hiv na época. Mas, pela denominada "culpa do sobrevivente", adotou comportamentos que o levaram a se infectar com o vírus. Porém, não veio a falecer por causa disso, mas de um infarto em 1994.


Aliás, se quiser saber mais sobre obras de Herbert Daniel, há algumas já expostas neste blog.

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