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Livro - SE FICAR MUITO DIFICIL - Marcos Visnadi

Recebi há poucos dias, diretamente do autor Marcos Visnadi Recebi há poucos dias, diretamente do autor Marcos Visnadi Recebi há poucos dias, diretamente do autor Marcos Visnadi @marcosvisnadi , o livro de poemas "Se Ficar Muito Difícil", que acabou de sair da prensa.



Já havia lido uma obra do Marcos na antologia de poemas relacionados ao hiv/aids "Tente Entender o que Tento Dizer" organizada por Ramon Nunes Mello e já abordada aqui no blog. Na antologia, consta o poema "Deus tem AIDS" que aliás serviu de fonte para o filme de mesmo nome. marcosvisnadi , o livro de poemas "Se Ficar Muito Difícil", que acabou de sair da prensa.


Logo nas primeiras páginas do livro aí lqui abordado, fui agraciado com o poema "O que faz a bicha com aids" à fl. 13, deliciosamente corrosivo e que cujo trecho está a seguir:


chora entre seringas e camisinhas usadas

procura as cavidades

nas bochechas o sarcoma

nunca aparece

enquanto toma os remédios

e o governo federal fornece os remédios

a bicha com aids vai até o postinho


é o dever

de toda bicha com aids

ir até o postinho e combater

bravamente

A PESTE

antes que ela chegue

nos heteros

nas estátuas de militares e presidentes

nos nenéns recém nascidos

e transforme todos TODOS

em bichas com aids


Já na pg 83, o poema "Carta para o HIV" aborda os medos que perpassam nossa mente no início da jornada, assim como a historicidade da vida com o vírus. Um trecho dele:


como é que eu faço

se o meu corpo me disser

não te quero mais?


a sífilis

descoberta epidêmica

no século quinze

matava rápido como a aids

nos anos oitenta

se esperar

século trinta

vencerá

as novas formas epidêmicas

me deixarão

datado entre as pragas do século

um romance

de moças nas montanhas

tísicas tirando

as costelas em resguardo

de pureza e de sexo e uma gripe

mais forte e uma cura

qualquer


Obviamente, os poemas aqui citados são bem mais longos que os trechos transcritos, e há vários outros que também abordam a questão do hiv/aids.


A escrita do autor é densa, traduzindo o peso das misérias humanas inerentes ao ato de viver. Ao mesmo é sarcástica, fazendo pilhérias das coisas que nos conformam.


Ainda, destaca o corpo humano como fonte de problemas e doenças, imundícies (que nem sempre têm conotação negativa, especialmente no capítulo "Língua no Períneo") e também como fadado a apodrecer. Aliás, outra característica da escrita do autor é o uso constante de termos considerados hoje como estigmatizantes ou degradantes, mas de forma deliciosamente subversiva.


Quem gosta de poesia e se interessa por uma produção artística queer PRECISA conhecer este livro, que pode ser comprado diretamente com autor, via Instagram @marcosvisnadi

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