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Minissérie - IT'S A SIN - HBO MAX - Russell T Davies

Eu assisti à minissérie "It's a Sin" logo que ela foi lançada, em janeiro deste ano no Channel 4 inglês, e agora ela chega oficialmente ao nosso país, pela HBO Max.





Assim, obviamente aproveitei para a revisitar, mas agora com um olhar mais crítico, pois da primeira eu só sabia chorar.


Com uma construção tipicamente inglesa, com tiradas de humor ácido tipicamente inglês, a série foi produzida por Russell T Davies, que também escreveu Queer as Folk (a versão inglesa), Cucumber e Years and Years.


A minissérie conta com 5 capítulos, e foca no surgimento da pandemia de AIDS na Grã-Bretanha, e todo seu impacto sobre a sociedade LGBTQIA+. Mostra a liberação sexual do começo dos anos 80, o negacionismo dos que duvidavam dos relatos de uma estranha doença que afetava somente homens cis gays.


Nas palavras de seu criador, It's a Sin conta histórias que aconteceram, e histórias que poderiam ter acontecido.


Tudo começa com pessoas queer por volta dos 20 anos de idade se encontrando em Londres, abandonando suas famílias (ou sendo abandonados por elas), e todos formam uma hiper animada república, e correm atrás de seus sonhos, encontrar seus iguais e vivenciar a liberdade de ser, sexual e socialmente, eles mesmos.


Uma característica do texto de Russell T Davies, que aqui é ressaltada, é a brutalidade da realidade. Assim como em Queer as Folk, nada em It's a Sin é suavizado, a verdade está toda lá, nua e crua. Mas este é um dos pilares da minissérie: contar histórias que aquelas pessoas deveriam ter vivido, histórias que lhes foram roubadas, histórias que a sociedade e o destino permitiram que gerações e gerações de homens heterossexuais vivessem.


Muitas histórias sobre o hiv/aids foram contadas. Muitas focadas no passado, em uma época em que viver com o vírus significava uma sentença de morte.





Pesquisadores da arte do hiv/aids dizem que não seria mais necessário fazer novas obras sobre o passado da aids. Que o mais importante é a produção de obras que abordem o hiv nos tempos de hoje, que construam uma nova face da vivência com o vírus.


Até certo ponto eu concordo, obras assim são urgentes, mas recentemente tivemos exemplos que obras que retratam o passado do hiv/aids exploram novas facetas. A série Pose, por exemplo, que mostrou com perfeição as comunidades de ballroom, e as mulheres trans, atrizes e personagens, brilharam como nunca. E o mesmo vemos aqui.


Eu não havia visto ainda uma série que retratasse como a comunidade britânica, tatcherista lidou com a questão na época, com as vidas perdidas, com a política de endurecimento. Mas ao mesmo tempo há muita vida, muito inconformismo e muita fricção.


E as personagens da minissérie também foram magnificamente trabalhadas. Mesmo o Ritchie, descrito pela amiga Jill como "... totalmente e definitivamente gay, lindamente gay..." tem também um lado bastante conservador, especialmente no espectro político. Todas as personagens são cheias de camadas.





A série é desenvolvida em um ritmo quase frenético, sem cenas longas ou sem serventia, como Russell costuma fazer, cria expectativas por parte do público sobre esta ou aquela personagem e as destrói a seguir.


Eu recomendo categoricamente que você assista a It's a Sin.

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