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Musica - A VIA LACTEA - Renato Russo - Legiao Urbana

A música "A Via Láctea", lançada no álbum "A Tempestade ou O Livro dos Dias", ou mais comumente "A Tempestade", que por sua vez foi o sétimo álbum do Legião Urbana, lançado em 20 de setembro de 1996, poucos dias da morte do cantor Renato Russo, ocorrida em 11 de outubro daquele ano, e foi propriamente uma espécie de despedida do cantor ao mundo.

O álbum foi planejado para ser um disco duplo, mas Renato era contra por temer um preço final muito elevado. Os outros dois integrantes acabaram aceitando lançar somente A Tempestade (nome na capa) quando perceberam que seu colega provavelmente não viveria muito tempo.


Na época, Renato já aparentava estar bastante magro e debilitado. Marcelo gostava mais do nome O Livro dos Dias, termo que aparece na primeira parte do encarte. O livreto trazia também uma frase de Oswald de Andrade: "O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus".


Devido ao seu estado de saúde, Renato gravou apenas a voz-guia das faixas, não tendo voltado ao estúdio para registrar as versões definitivas, que deveriam ir para o produto final. A única exceção é a faixa "A Via Láctea", com elementos de autobiografia e que ele queria que fosse enviada às rádios, mesmo contra a vontade de outros componentes, que acreditavam que outra música poderia fazer mais sucesso como música principal do disco.


Jorge Davidson, diretor artístico que levou a banda à EMI-Odeon - e que, na época, atuava na Sony - foi convidado por Renato a visitá-lo em seu apartamento e ouvir o disco pronto. Ele recomendou que Renato regravasse suas vozes, mas o cantor voltou a se recusar.


Ele realmente queria imortalizar aquele momento e torná-lo o mais transparente possível, em uma flagrante diferença sobre como conduziu as informações sobre sua sexualidade e seu estado de saúde.


Vários trechos da música fazem referência ao estado de saúde física e mental de Renato Russo. Por exemplo "Hoje fiquei com febre a tarde inteira" é tão real pois ele realmente estava já constantemente febril quando a gravou. Ainda, "hoje a tristeza não é passageira" mostra a consciência de finitude e inevitabilidade da morte.


Na verdade, está claro que a música fala da tristeza e pessimismo que Renato sentiu em seus últimos momentos de vida, que foram muito marcados pelas consequências advindas da aids.


Na letra, Renato se mostra inconsolável vivendo numa melancolia à espera dos dias de paz. Em partes da canção, ele relata como a febre não o deixa e como não consegue mais enxergar beleza na vida. Ele agradece quem pensa nele, mas diz que a morte era a única solução para o alívio de sua dor.


Quando tudo está perdido

Sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido

Sempre existe uma luz

Mas não me diga isso

Hoje a tristeza não é passageira

Hoje fiquei com febre a tarde inteira

E quando chegar a noite

Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros

E rir das desgraças da vida

Ou fingir estar sempre bem

Ver a leveza das coisas com humor

Mas não me diga isso

É só hoje e isso passa

Só me deixe aqui quieto

Isso passa

Amanhã é um outro dia não é

Eu nem sei por que me sinto assim

Vem de repente, um anjo triste perto de mim

E essa febre que não passa

E meu sorriso sem graça

Não me dê atenção

Mas obrigado por pensar em mim

Quando tudo está perdido

Sempre existe uma luz

Quando tudo está perdido

Sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido

Eu me sinto tão sozinho

Quando tudo está perdido

Não quero mais ser quem eu sou

Mas não me diga isso

Não me dê atenção

E obrigado por pensar em mim

Mas não me diga isso

Não me dê atenção

E obrigado por pensar em mim




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