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Teatro - BRENDA LEE E O PALACIO DAS PRINCESAS - Nucleo Experimental

"Brenda Lee e o Palácio das Princesas", peça de teatro musical do Núcleo Experimental, companhia teatral de São Paulo, conta a história de Brenda Lee, também conhecida como Caetana, uma das mais importantes ativistas da causa LGBTQIA+ no Brasil . Seu sobrado na rua Major Diogo, conhecido como o Palácio das Princesas, foi o primeiro órgão de acolhida a essa população na cidade.



Na produção original de Fernanda Maia e Rafa Miranda, com direção de Zé Henrique de Paula, vamos conhecer mais de Brenda, que nasceu em Pernambuco e fez história em São Paulo quando, em 1984, época em que pouco se sabia sobre a epidemia da aids, passou a acolher travestis e mulheres trans que viviam com hiv em seu sobrado na Rua Major Diogo.


A Casa de Apoio Brenda Lee, chamada carinhosamente de Palácios das Princesas, foi o primeiro órgão de acolhida a essa população na cidade. Considerada o anjo da guarda da população LGBTQUIA+, protagonista de em sua luta e ativismo, Brenda inspira e conduz nesse projeto realizado em parceria com artistas transexuais.


O musical é protagonizado totalmente por mulheres transvestigêneres, sendo elas Veronica Valenttino (Brenda Lee), Ambrosia (Isabelle Labete), Marina Mathey (Cinthia Minelli), Tyller Antunes (Ariella del Mare), June Weimar (Blanche de Niège) e Olivia Lopes (Raíssa).



O texto retrata como era, e ainda é, a vida das travestis e mulheres trans, marginalizadas, sem rodeios. As músicas são deliciosas, e o não é suavizado, usando frases de impacto como "... depois que gozou, você vira latrina..."


O musical não é apenas para divertir, mas uma forma de arte que possibilita a reflexão e discussão da sociedade sobre a vulnerabilidade de mulheres trans e travestis.


Em 1984 comprou um imóvel na rua Major Diogo, no Bixiga, e fez uma pensão onde as travestis eram bem-vindas. Esse imóvel se destacou por fornecer moradia fundamental para as travestis que, infelizmente, não conseguiam alugar no mercado como outros clientes. Pouco tempo depois, a pensão virou uma casa de apoio que tinha o objetivo de acolher travestis expulsas das suas famílias e de lhes oferecer, além de abrigo e alimentação, o carinho e afeto familiar perdidos.


Depois de uma série de assassinatos de travestis feita pela polícia na cidade de São Paulo, inclusive a operação Tarântula em 1987, mais travestis foram acolhidas e a casa passou a ser chamada de Palácio das Princesas. A descrição disso na peça é extremamente contundente.


Simultaneamente à violência na década de 80, a aids chegou como doença misteriosa e os gays e as travestis foram as primeira vítimas conhecidas, o que aumentou ainda mais o estigma desse grupo. Sem programa de fornecimento de remédios nem programa de apoio por parte do Estado, a Brenda começou a acolher amigas e outras pessoas doentes que precisavam de ajuda. Mais uma vez, tudo isso está na peça. Inclusive


A Casa de Apoio foi a primeira ONG que se envolveu com a causa do hiv/aids no Brasil e na América Latina. Tornou-se tão importante que chegou a trabalhar em parceria com o Hospital Emílio Ribas e, em 1988, fez um convênio com a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo para acolhimento e cuidado de pessoas que viviam com hiv. A Casa ficou fechada entre os anos de 2011 e 2015 para depois voltar a funcionar por mais um ano. Desde 2017, está fechada sem perspectiva de reabertura, precisando de uma reforma e mais voluntários para funcionar novamente.


A peça é uma lindíssima homenagem à Brenda Lee e pode ser assistida online no canal do YouTube do Núcleo Experimental, com sessões às 21:00, todas as noites, até o dia 12/11/2021.





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